Crise psiquiátrica na família: o que fazer (e o que evitar) até a ajuda chegar
Orientações práticas para famílias durante uma crise psiquiátrica, o que fazer e o que evitar até a ajuda profissional chegar, por Dr. Antônio Felipe.
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Narração em voz sintética.
Ver alguém que você ama em crise — agitado, desorientado, em pânico ou falando coisas que não fazem sentido — é uma das experiências mais assustadoras que uma família pode viver. Saber o que fazer nesses minutos iniciais faz diferença real.
Não existe fórmula que elimine o medo nesse momento. Mas existem condutas que ajudam a manter a segurança de todos e facilitam o trabalho de quem vai prestar o atendimento profissional. Este texto reúne orientações gerais — cada situação tem suas particularidades, e a avaliação presencial de um profissional é sempre necessária.
O que fazer
Mantenha a calma na voz e no corpo
- Fale em tom baixo e pausado
- Evite movimentos bruscos ou se aproximar rapidamente
- Mantenha distância física respeitosa, sem cercar a pessoa
Garanta a segurança do ambiente
- Afaste objetos que possam machucar (facas, objetos cortantes, medicamentos em excesso)
- Mantenha rotas de saída livres, para você e para a pessoa em crise
- Se houver outras crianças ou pessoas vulneráveis no ambiente, retire-as do local com calma
- Busque ajuda profissional imediatamente. Ligue para o SAMU (192) em caso de risco iminente, ou leve a pessoa a um pronto atendimento, se for seguro fazer o deslocamento
- Valide o sofrimento, sem confrontar o conteúdo. Frases como "estou aqui com você" ajudam mais do que tentar convencer a pessoa de que o que ela sente ou percebe "não é real"
- Informe ao profissional o histórico relevante — diagnósticos prévios, medicações em uso, uso de substâncias, eventos recentes — isso agiliza e qualifica o atendimento
O que evitar
- Discutir ou tentar argumentar logicamente durante um surto ou crise intensa — isso tende a aumentar a agitação, não reduzir
- Levantar a voz ou demonstrar pânico visível — a forma como a família reage influencia diretamente a intensidade da crise
- Conter fisicamente a pessoa sem orientação profissional, exceto em risco imediato de vida, e mesmo assim com o cuidado de não gerar lesões
- Deixar a pessoa completamente sozinha, especialmente se houver risco de auto ou heteroagressão
- Minimizar ou adiar a busca por ajuda na esperança de que "vai passar" sozinho
Depois da crise: o que esperar
Uma vez que a pessoa recebeu atendimento e a situação está estabilizada, é comum que a família sinta uma mistura de alívio e exaustão. Esse também é o momento de buscar informações claras com a equipe de saúde sobre o diagnóstico (quando já houver), o plano de tratamento e os passos seguintes — incluindo a importância da continuidade do cuidado, seja em CAPS, ambulatório de psiquiatria ou acompanhamento na Atenção Primária.
Famílias que atravessam uma crise psiquiátrica também precisam de cuidado. Buscar orientação para si mesmas — entender o que está acontecendo, como apoiar sem se exaurir, e quando e como buscar ajuda em situações futuras — faz parte de um cuidado completo, que não se limita à pessoa que viveu a crise.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui avaliação ou orientação profissional presencial diante de uma situação de crise.