Delirium, demência e depressão: diagnóstico diferencial na prática
Os três Ds — delirium, demência e depressão — compartilham sintomas cognitivos que facilmente se confundem na consulta, mas exigem condutas radicalmente diferentes. Errar essa diferenciação tem consequências clínicas reais.
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Narração em voz sintética.
Os três Ds — delirium, demência e depressão — compartilham sintomas cognitivos que facilmente se confundem na consulta, mas exigem condutas radicalmente diferentes. Errar essa diferenciação tem consequências clínicas reais.
O critério mais discriminante: início e curso
- Delirium: início agudo (horas a dias), curso flutuante ao longo do dia, sempre com causa orgânica subjacente a ser investigada
- Demência: início insidioso, curso lentamente progressivo ao longo de meses a anos, sem flutuação significativa
- Depressão (pseudodemência): início subagudo, frequentemente associado a evento desencadeante identificável, com queixa cognitiva desproporcional aos achados objetivos
Consciência: o marcador mais confiável
Alteração do nível de consciência é característica central do delirium e está tipicamente ausente em demência e depressão. Qualquer paciente com rebaixamento ou flutuação da consciência deve ser investigado para causa orgânica aguda antes de qualquer outra hipótese.
Conduta prática
Diante de declínio cognitivo agudo, investigar ativamente infecção, distúrbio metabólico, efeito medicamentoso e retenção urinária antes de assumir demência. Diante de declínio insidioso com sintomas depressivos proeminentes, considerar tratamento de prova para depressão antes de fechar diagnóstico demencial definitivo.
Conteúdo educativo baseado em literatura de neuropsicologia clínica e geriatria. Não substitui avaliação neuropsicológica formal.