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Saúde Mental · Doutor Antônio Felipe
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Relatos da Prática

As dores de cabeça que só apareciam de manhã

Sempre antes de sair para a escola. Nunca nos fins de semana. A mãe já tinha levado a exames repetidos, todos normais, sem entender o padrão que, na verdade, estava bem à mostra.

Dr. Antônio Felipe 2 min de leitura
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Narração em voz sintética.

Nota sobre este relato: composição construída a partir de padrões recorrentes observados na prática clínica, sem corresponder a nenhuma pessoa real ou identificável. Nomes e detalhes são fictícios. Elaborado em conformidade com o Código de Ética Médica.

Sempre antes de sair para a escola. Nunca nos fins de semana. A mãe já tinha levado a exames repetidos, todos normais, sem entender o padrão que, na verdade, estava bem à mostra.

Chamemos essa criança de Yasmin. Dez anos, dores de cabeça intensas e recorrentes, sempre pela manhã, antes da escola, praticamente ausentes aos finais de semana e nas férias — um padrão que a mãe, angustiada com exames sempre normais, não tinha conseguido conectar sozinha.

Conversando com Yasmin, sem pressa e sem a mãe presente, ela finalmente contou sobre um grupo de colegas que a excluía sistematicamente, fazia comentários maldosos sobre sua aparência, e a fazia se sentir, segundo suas próprias palavras, "invisível e ao mesmo tempo alvo de tudo".

O corpo denunciando o que a boca não conseguia

Yasmin não tinha contado à mãe por vergonha e por medo de que a situação piorasse se os adultos interviessem "do jeito errado". As dores de cabeça eram a expressão física de uma ansiedade antecipatória real, ligada diretamente ao ambiente escolar hostil que ela enfrentava diariamente.

Conversamos com a mãe sobre como abordar a escola de forma que protegesse Yasmin de retaliação, encaminhamos para acompanhamento psicológico, e a escola, uma vez informada com cuidado, interveio de forma efetiva na dinâmica do grupo. As dores de cabeça, ao longo das semanas seguintes, foram desaparecendo.

O que esse encontro me ensinou

Padrões temporais específicos em queixas físicas recorrentes de crianças — presentes em certos dias ou momentos, ausentes em outros — são pistas valiosas que merecem investigação ativa, além dos exames laboratoriais. O corpo infantil frequentemente denuncia, através de sintomas físicos, um sofrimento que a criança ainda não sabe, ou não ousa, verbalizar diretamente.

Relato composto, sem identificação de pessoas reais. Elaborado em conformidade com o Código de Ética Médica.

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