A executiva que escondia os ataques de pânico no trabalho
Ela ia ao banheiro várias vezes por dia, sempre no mesmo horário das reuniões de diretoria. Ninguém sabia que era ali que ela tentava, sozinha, se recompor de ataques de pânico recorrentes.
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Narração em voz sintética.
Ela ia ao banheiro várias vezes por dia, sempre no mesmo horário das reuniões de diretoria. Ninguém sabia que era ali que ela tentava, sozinha, se recompor de ataques de pânico recorrentes.
Chamemos essa mulher de Renata. Trinta e oito anos, diretora de uma área comercial, veio à consulta ocupacional depois de um episódio mais intenso que quase a levou a desmaiar durante uma apresentação importante.
Ela contou, com evidente vergonha, que vinha escondendo ataques de pânico havia meses, sempre relacionados a reuniões de alta pressão. Tinha desenvolvido estratégias elaboradas para escondê-los — saídas estratégicas, respiração controlada em banheiros, desculpas inventadas.
O custo de esconder
Esconder os episódios, em vez de buscar ajuda, tinha um custo real: Renata vivia em estado de vigilância constante, com medo permanente de que um episódio acontecesse publicamente e comprometesse sua imagem profissional, o que, paradoxalmente, aumentava a frequência das crises.
Encaminhei para acompanhamento psiquiátrico e psicoterapia, e conversamos sobre a possibilidade de, quando ela se sentisse segura, buscar algum ajuste temporário de carga com o RH — não revelando o diagnóstico específico, mas comunicando necessidade de apoio temporário. Meses depois, com tratamento, os episódios reduziram significativamente.
O que esse encontro me ensinou
Profissionais em posições de liderança frequentemente escondem sofrimento psíquico por medo de que isso comprometa sua credibilidade profissional — um medo que, paradoxalmente, intensifica o próprio quadro que tentam esconder. Buscar ajuda precoce evita que esse ciclo se agrave.
Relato composto, sem identificação de pessoas reais. Elaborado em conformidade com o Código de Ética Médica.