Pular para o conteúdo
Saúde Mental · Doutor Antônio Felipe
Todos os artigos
Relatos da Prática

O paciente que recusava o próprio diagnóstico

Ele já tinha ouvido o diagnóstico de três profissionais diferentes. Todas as vezes, saiu da consulta dizendo que aquilo era bobagem, que não tinha nada demais com ele.

Dr. Antônio Felipe 1 min de leitura
Capa do artigo: O paciente que recusava o próprio diagnóstico

Ouvir o artigo completo

Narração em voz sintética.

Nota sobre este relato: composição construída a partir de padrões recorrentes observados na prática clínica, sem corresponder a nenhuma pessoa real ou identificável. Nomes e detalhes são fictícios. Elaborado em conformidade com o Código de Ética Médica.

Ele já tinha ouvido o diagnóstico de três profissionais diferentes. Todas as vezes, saiu da consulta dizendo que aquilo era bobagem, que não tinha nada demais com ele.

Chamemos esse homem de Vicente. Cinquenta e quatro anos, sintomas consistentes com transtorno bipolar havia anos, segundo o histórico que consegui reconstruir em consultas sucessivas. Cada vez que um profissional levantava essa hipótese, ele interrompia bruscamente a consulta.

Ao invés de insistir tecnicamente no diagnóstico naquela consulta, decidi perguntar: "o que esse diagnóstico significaria para você, se fosse verdade?" Ele ficou em silêncio longo. Depois, disse que o pai tinha tido "esse mesmo problema", tinha sido internado várias vezes, e a família toda tinha vergonha disso.

O que a recusa protegia

Vicente não estava negando os sintomas — estava recusando se tornar, aos próprios olhos, a repetição de uma história familiar que ele associava a vergonha e fracasso. Aceitar o diagnóstico era, para ele, aceitar um destino que temia desde a infância.

Trabalhamos, ao longo de meses, não apenas o quadro clínico, mas essa narrativa de vergonha herdada. Aos poucos, Vicente foi conseguindo separar sua própria história da história do pai, e aceitou, finalmente, iniciar acompanhamento adequado.

O que esse encontro me ensinou

Recusa de diagnóstico frequentemente não é sobre os fatos clínicos em si, mas sobre o significado emocional que aquele diagnóstico carrega para a história pessoal do paciente. Entender essa camada é, às vezes, o único caminho para que o tratamento adequado seja aceito.

Relato composto, sem identificação de pessoas reais. Elaborado em conformidade com o Código de Ética Médica.

Quer conversar sobre isso?

Este texto é informativo e não substitui uma avaliação individual. Se você se reconheceu em algo aqui, agende uma consulta.

Agendar avaliação

Sua opinião é fundamental

Sua experiência ou visão sobre este tema pode ajudar outras pessoas e equipes. Compartilhe sua opinião, dúvida ou relato abaixo.

Este conteúdo foi útil para você?

Como este tema se aplica a você?

Preciso de ajuda agora

Se você está em sofrimento intenso ou em risco, procure ajuda agora. Ligação gratuita.

CVV — 188 Apoio emocional, 24 h SAMU — 192 Emergência médica